GLOBALIZAÇÃO


 
 

GLOBALIZAÇÃO 

Prof. M. Alexandre Lobo 


Em termos gerais, globalização significa o processo de tornar global. Mas o que especificamente é globalizado? A cultura, a política e a economia são aspectos da globalização. Tema polêmico, remete à idéia de transposição das fronteiras nacionais, a algo que passa a ser do globo. De certa forma, embora a globalização tenha ganhado destaque principalmente na ultima década do século XX, é um fenômeno que ocorre desde a era das grandes navegações quando os europeus impuseram sua cultura a nativos do continente americano. Recuando mais no tempo, Alexandre, o Grande, levou a cultura grega aos povos do oriente, ou ainda, os Romanos difundindo o latim por uma boa parte da Europa.


O contra-ponto da globalização: a nação era determinada por um território com fronteiras, limitadas por elementos naturais como rios ou relevo, ou por meio de guerras; por um aparato político- jurídico próprio de um Estado; por uma moeda; por forças armadas e por uma tradição característica de um povo. Para o historiador inglês Eric Hobsbawm, a nação é uma construção recente que cumpre interesses de uma burguesia interessada em políticas protecionistas. No mundo antigo, a nação era a referência à localidade de origem. Tales de Mileto, por exemplo, é uma referência à origem de Mileto. Na Idade Moderna, a ausência de nacionalismo revelava-se nos casamentos da nobreza, casavam-se nobres com nobres de países diferentes, pois o que importava não era a nação, mas o reino, resultando algumas vezes disputa pela sucessão de determinados reinos, como foi o caso da Guerra dos Cem anos, envolvendo a França e a Inglaterra.


A globalização, no aspecto político-econômico, mostra-se na formação de blocos, tendo como expressão maior a União Européia. Uma moeda, o Euro, veio a substituir as moedas nacionais de países europeus como França, Portugal ou Espanha, por exemplo. Há também um parlamento e uma presidência da União Européia, além de uma livre circulação de mercadorias.


No aspecto econômico, temos o fenômeno do que poderíamos chamar da dissolução do “made in”, ou seja, cada vez mais as grandes empresas espalham suas produções por diversas partes do mundo, além de incorporarem empresas locais ou se associarem a outras grandes empresas para a produção de determinados produtos. Avaliando questões como mão-de-obra barata disponível, legislação ou disponibilidade de matéria prima, empresas espalham ou concentram sua produção em determinadas regiões ou países. Um carro, por exemplo, pode ser projetado na Alemanha e montado em um país asiático que conta com mão-de-obra barata disponível. O desenvolvimento e conseqüente barateamento dos transportes e da comunicação, associado ao fenômeno da terceirização, permite que estas empresas possam facilmente desmontar sua linha de produção quando não for mais conveniente, ou por questões políticas ou esgotamento de matéria prima, e remontá-la em outra região mais lucrativa. A terceirização consiste em uma empresa delegar atividades, mesmo produtivas, que antes realizava a outras empresas. Serviços de limpeza, segurança ou alimentação tem sido terceirizados até mesmo por setores públicos. Na produção industrial, determinadas peças passam a ser feitas por fábricas locais fornecedoras, ficando para a grande empresa global apenas a montagem, gerando assim uma redução de custos e delegação dos riscos. Esse fenômeno gera um desenvolvimento econômico local dependente, pois a desinstalação da montadora poderá provocar a falência das empresas fornecedoras de serviços ou de peças da linha de montagem.


Na questão cultural, fenômeno foi proporcionado pelo advento do rádio, da televisão e do cinema, mas mais recentemente, a internet que possibilita o contato entre um estudante de classe média baixa de um país da América do Sul com outro da Ásia, por exemplo. Um centro de produção cultural em massa tende a tornar-se hegemônico, mesclando sua cultura com tradições locais, contribuindo para a formação de uma cultura global. A tradição do sushi japonês mesclou-se com o hambúrguer norte-americano resultando no Macfish. Para Renato Ortiz, na questão cultural o termo mais correto seria a mundialização, e não globalização. O inglês, por exemplo, estaria se tornando a língua mundial. Fast-food e coca-cola tornam-se parte obrigatória do cardápio mundial. Por meio da imagem e do som transmitido via satélite, por cabos ou por qualquer outro meio de comunicação, passou-se a cultuar o que vem de fora, a admirar ou a desejar pela influência da propaganda, outros hábitos alimentares ou outras formas de vestir que não a tradição, embora como no caso citado, acontece também que o global pode se adaptar ao local.


A tradição era questão de identidade e enraizamento do sentimento nacional que agora está se diluindo, não somente em favor de uma democratização das práticas culturais ou de uma troca cultural igualitária entre diversas partes do mundo, mas de uma padronização cultural conforme o que é ditado pelo capital ou pelo centro capitalista mundial.


HOBSBAWM, Eric.Nações e nacionalismos. São Paulo: Cia das Letras, 1998.

ORTIZ, Renato. Mundialização e cultura. São Paulo: Brasiliense, 1994.

 

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