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MOVIMENTOS SOCIAIS

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Os novos e antigos movimentos na construção de uma identidade:

Prof. Me. Alexandre Lobo

Para entender o que são movimentos sociais, é necessário uma distinção inicial entre sociedade política e sociedade civil. Por sociedade política, pode-se entender o Estado, conjunto de instituições com o objetivo de regular a sociedade, estabelecendo o que é direito e o que é proibido, bem como as respectivas punições para as infrações. Já a sociedade civil corresponde ao restante da sociedade como um todo, que não pertence à sociedade política. O Estado, então, existe, dentro dos princípios democráticos, para suprir o conjunto social como um todo da melhor forma possível para que este se mantenha coeso. Entendendo-se que a sociedade é composta por partes diferentes e, por vezes antagônicas – com interesses contraditórios - , pode ocorrer, e é o que geralmente ocorre que o Estado não consiga satisfazer o interesse de toda a sociedade civil. Quando isso ocorre, surgem então os movimentos sociais.

A sociologia surgiu no contexto do Iluminismo e do cientificismo. Era a época da busca de explicações para tudo, e a sociedade deveria ser explicada da mesma forma que os fenômenos da natureza, objetos de estudo das ciências exatas. Neste afã de tudo explicar, muitas vezes os cientistas sociais buscavam explicações monocausais – uma única causa – e tudo aí enquadravam. Desta forma, a sociedade era composta por partes cujas características eram próprias de camadas específicas e não eram compartilhadas com as demais.

Um exemplo desta forma de se entender a sociedade é a linhagem teórica marxista. Por essa teoria, simplificando um pouco, a sociedade é composta por duas classes básicas, as dos donos dos meios de produção e a dos donos da capacidade produtiva. Assim, os movimentos sociais giravam no eixo da luta de classes. Cada classe teria então interesses próprios, cultura e hábitos distintos. Movimentos sociais eram aqueles que reivindicavam interesses de classes. Surgidos no contexto da Revolução Industrial inglesa, os movimentos sindicais são seu exemplo.

Identidade é algo que, como o próprio nome diz, identifica. E a identificação é relacional, identifico algo contrapondo a outro objeto diferente. A identidade de uma nação ou de um povo baseia-se em características que o tornam peculiar, diferente em relação a um outro. Desta forma, a sociologia clássica estabelecia então identidades para os grupos sociais. Geralmente então os indivíduos eram catalogados, a vertente marxista principalmente, a partir de sua posição econômica e isto fornecia lhe uma identidade. De uma maneira genérica, o operário engajado socialmente seria aquele atuante no sindicado, que estaria consciente de seu papel na luta de classes e teria então uma cultura específica que lhe ditava gostos e costumes.

Lá pela metade do século XX esse paradigma dos movimentos sociais ficou abalado com o aparecimento de novos agentes sociais com outros tipos de interesses diferentes dos meramente de classes. Mulheres, negros, homossexuais, ecologistas e minorias sociais passam a mostrar que também têm interesses que não podem ficar sob o manto das classes sociais.

Como disse Caetano Veloso em uma de suas músicas, “o poder é macho, branco e rico”. Essa frase expressa bem a questão dos novos movimentos sociais. Não só os operários ou pobres em geral não são contemplados pela atuação da sociedade política ou estão fora dela. Nos anos sessenta, com o advento do anticoncepcional, houve uma nova possibilidade para a identidade do “ser mulher”, uma mulher independente dos padrões de dona de casa e recatada passou a ser uma das reivindicações do movimento feminista. Nos EUA, o movimento pantera negra com seus cabelos “Black Power” reivindicava não só os direitos aos negros como também uma nova estética. Indígenas da América do Sul lutam para manter suas culturas. A “descoberta” destes novos agentes sociais leva à percepção de que os seres humanos podem ser múltiplos, com uma identidade fragmentária. Um sujeito pode ser companheiro de outro no sindicato ou no clube de pais, mas um pertencer ao “movimento gay” e o outro pertencer ao “Tradição Família e Propriedade”.

Questões para refletir:

1 Para você, os novos movimentos sociais eliminam a necessidade dos antigos? 2 Quais deles, os novos ou os antigos movimentos sociais pretendem realizar transformações radicais na sociedade?

3 – Se você tivesse que atuar socialmente, que tipo de movimento você ingressaria e por quê?

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Os novos e antigos movimentos na construção de uma identidade:


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